Participação inédita da AGTESP, AGTBRASIL e Observatório Nacional de Segurança Viária aproxima a categoria dos principais debates sobre segurança pública e proteção dos profissionais que atuam nas ruas.
São Paulo — Entre os dias 11 e 13 de agosto de 2026, o São Paulo Expo recebeu o COP Internacional, evento dedicado à segurança pública e à atividade policial, reunindo autoridades, forças de segurança, especialistas, gestores públicos, indústria e representantes de diferentes segmentos ligados à proteção da sociedade.
De acordo com a organização, o COP Internacional se apresenta como uma plataforma latino-americana de inovação e conexão estratégica na área de segurança pública, com participação de autoridades nacionais e internacionais, forças de segurança, gestores, especialistas e empresas do setor. A programação oficial incluiu debates sobre tecnologia, gestão, reocupação territorial e cooperação internacional.
Nesse cenário, a presença da categoria dos agentes de trânsito ganhou destaque. Representantes da AGTBRASIL, da AGTESP — Associação dos Agentes de Trânsito dos Municípios e do Estado de São Paulo e do Observatório Nacional de Segurança Viária participaram do evento, levando para um ambiente tradicionalmente associado à segurança pública a pauta da segurança viária e da proteção dos profissionais que atuam diariamente nas ruas.
AGTESP conquista parceria inédita para participação dos agentes
Um dos principais resultados da participação da categoria foi a parceria estabelecida entre a AGTESP e a organização do COP Internacional, que, segundo a associação, possibilitou a disponibilização de um link de inscrição gratuita destinado aos agentes de trânsito na página principal do evento.
A iniciativa permitiu que aproximadamente 20 agentes de trânsito participassem do congresso e da feira, incluindo profissionais da SPTrans, que também exercem atividades relacionadas à fiscalização de trânsito na cidade de São Paulo.
Para a AGTESP, a participação representa mais do que a presença em uma feira: trata-se de uma oportunidade de inserir a categoria nos espaços onde são discutidos equipamentos, tecnologias, políticas públicas, gestão operacional e segurança dos profissionais que atuam diretamente em campo.
Segurança viária também é segurança pública
A participação dos agentes ocorre em um contexto constitucional importante.
A Emenda Constitucional nº 82/2014 acrescentou o § 10 ao artigo 144 da Constituição Federal e estabeleceu que a segurança viária compreende, entre outras atividades, a educação, engenharia e fiscalização de trânsito, atribuindo essas funções aos órgãos ou entidades executivos e aos respectivos agentes de trânsito estruturados em carreira.
O próprio Código de Trânsito Brasileiro, após alterações legislativas, define o agente de trânsito como servidor civil efetivo de carreira responsável por atividades de educação, operação e fiscalização de trânsito e transporte, no exercício regular do poder de polícia de trânsito, além de estabelecer o conceito de patrulhamento viário exercido pelos agentes dos órgãos executivos de trânsito.
Assim, a discussão defendida pelas entidades representativas não busca sobrepor ou substituir as atribuições das demais instituições de segurança.
A reivindicação é pelo reconhecimento do espaço constitucionalmente destinado à segurança viária e pela garantia de condições adequadas para que os agentes possam exercer suas atribuições com segurança, capacitação e estrutura.
Aproximação com gestores e profissionais de segurança
O COP Internacional também representa uma oportunidade para que gestores públicos conheçam melhor a realidade operacional dos agentes de trânsito.
A atividade desempenhada nas vias públicas envolve exposição diária a situações de conflito, fiscalização, abordagens, ocorrências de trânsito e contato direto com condutores. Com a ampliação das atribuições previstas na legislação de trânsito, cresce também a necessidade de discutir mecanismos capazes de reduzir os riscos enfrentados pelos profissionais.
Nesse sentido, a participação em eventos especializados permite conhecer tecnologias, equipamentos e protocolos utilizados por outras áreas da segurança pública.
Entre os recursos que podem ser avaliados pelos municípios, conforme as características e necessidades de cada operação, estão equipamentos de proteção individual e coletiva, coletes de proteção balística, dispositivos de menor potencial ofensivo, equipamentos de comunicação e outros recursos destinados à proteção operacional.
A definição e aquisição desses equipamentos, evidentemente, deve observar a legislação aplicável, estudos de risco, regulamentações técnicas, capacitação dos servidores e as particularidades de cada órgão.
Um novo espaço para a segurança viária
Outro momento destacado pela categoria ocorreu com a participação do agente de trânsito Benfica, de Governador Valadares (MG), representante da AGTBRASIL-MG, que, segundo a entidade, foi convidado a participar de debates sobre segurança pública internacional ao lado de representantes ligados à International Association of Chiefs of Police (IACP).
A aproximação ocorre em um evento que contou com a presença de David Rausch, presidente da IACP, e incluiu na programação oficial a assinatura de um termo de cooperação entre a IACP e o COP Internacional.
O episódio é simbólico para a categoria porque demonstra a possibilidade de levar a perspectiva da segurança viária para ambientes tradicionalmente ocupados por instituições policiais e demais segmentos da segurança pública.
Proteção de quem trabalha nas ruas
A segurança dos agentes de trânsito é uma preocupação crescente das entidades representativas.
Os profissionais estão diariamente expostos às condições imprevisíveis do trânsito e, em determinadas situações, a conflitos decorrentes da fiscalização. A atividade exige que o servidor esteja preparado para atuar em ambientes de risco, muitas vezes sem dispor da mesma estrutura de proteção existente em outras áreas operacionais da segurança pública.
Para a categoria, a discussão precisa envolver também os gestores municipais.
Não basta reconhecer formalmente a importância da segurança viária. É necessário compreender quem executa essa política pública na linha de frente e quais condições são necessárias para que esse profissional retorne para casa em segurança ao final de sua jornada.
Existem municípios que já adotam medidas de proteção e estrutura operacional para seus agentes. Entretanto, ainda há realidades em que gestores e administrações públicas não possuem plena compreensão sobre a extensão das atribuições exercidas por esses servidores.
Reconhecimento sem disputa de espaço
A participação no COP Internacional também reforça uma mensagem defendida pelas entidades representativas: os agentes de trânsito não buscam ocupar o espaço de outras instituições de segurança.
O objetivo é assegurar o reconhecimento de uma atribuição que já possui previsão constitucional.
A Constituição Federal estabelece a segurança viária como componente da estrutura de segurança pública e atribui aos agentes de trânsito funções específicas nesse sistema.
A presença da categoria em congressos, seminários, feiras tecnológicas e fóruns nacionais e internacionais contribui para ampliar esse diálogo e mostrar à sociedade e aos gestores a complexidade do trabalho desenvolvido pelos profissionais responsáveis pela fiscalização, operação e promoção da segurança nas vias.
AGTESP reafirma compromisso com a categoria
Para a AGTESP, a participação no COP Internacional representa mais um passo na busca por valorização, reconhecimento profissional, capacitação e melhores condições de trabalho para os agentes de trânsito dos municípios e do Estado de São Paulo.
A entidade entende que ocupar espaços estratégicos, dialogar com outras instituições e apresentar a realidade dos agentes são ações fundamentais para consolidar a segurança viária como parte efetiva das políticas públicas de segurança.
A participação no COP 2026 deixa, portanto, uma mensagem clara: o agente de trânsito também precisa estar presente onde se discutem segurança pública, tecnologia, gestão e proteção profissional.
A construção desse espaço não significa disputa institucional. Significa fazer valer a Constituição, fortalecer a segurança viária e garantir que os profissionais responsáveis por sua execução sejam reconhecidos, valorizados e adequadamente protegidos.
A luta pela valorização dos agentes de trânsito continua — nas ruas, nas instituições e também nos grandes fóruns onde se define o futuro da segurança pública brasileira.




